Photo: Michelin

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C3 R5 pronto para a estreia
Segunda, 02 Abril 2018 17:20

ThumbnailApós a introdução do C3 WRC no ano passado, 2018 marca o arranque competitivo da versão R5 do musculado citadino compacto da Citroën, destinado ao mercado da Competição Cliente. Para garantir o melhor nível de competitividade na categoria WRC2 – de suporte ao WRC – e nos vários campeonatos regionais FIA (ERC e MERC), bem como no vasto conjunto de campeonatos nacionais, a Citroën Racing levou a cabo uma profunda reformulação do conceito, apresentando um carro radicalmente diferente do seu antecessor.

Liderada por Olivier Maroselli, um experiente engenheiro que tem no seu currículo o desenvolvimento de diversos carros de ralis, uma equipa de cerca de 20 pessoas envolveu-se no projeto logo desde o início, de forma a assegurar as melhores escolhas e opções em termos técnicos. Esta abordagem foi também orientada pelo facto de os padrões na categoria serem, presentemente, mais elevados do que nunca, com diversos construtores de renome profundamente envolvidos. O maior desafio diz respeito aos regulamentos, muito mais restritivos do que no WRC, pois só permitem aos concorrentes fazerem 5 evoluções, recorrendo a tokens, durante os dois primeiros anos de um modelo (2 deles permitidos estritamente por razões de segurança e fiabilidade), havendo, depois, mais 5 a usar nos dois anos seguintes. É por isso que é tão importante fazer-se tudo corretamente logo desde o início.

Por outras palavras, há que produzir, de imediato, um carro fiável e rápido. Após o tradicional período de conceção no gabinete de engenharia, em setembro de 2017 – data em que o carro foi sujeito aos primeiros testes de estrada – a equipa de projeto iniciou um persistente programa de testes, observando a enorme variedade condições de utilização que fazem dos ralis uma disciplina que tem tanto de dificuldade como de fascínio. Para avaliar o seu comportamento numa vasta gama de níveis de aderência e, portanto, ajustar com total precisão o set-up, uma versão para alcatrão do C3 R5, equipada com os pneus mais largos de 18 polegadas, foi posta à prova nas exigentes estradas da Córsega, bem como no leste (região de Vosges) e no sul (Tarn) do território continental francês. O carro teve também a sua estreia em ambiente de competição num evento, sendo um dos “carros 0” do Rallye du Var, realizado em Novembro passado, tendo Yoann Bonato ao volante. Tratou-se de uma sessão de testes 100% real que se revelou altamente positiva, tanto em termos da popularidade junto dos fãs, como pelos tempos obtidos.

Enquanto isso, a equipa de desenvolvimento continuou o seu trabalho na versão destinada à utilização em terra – a superfície mais comum no WRC – com sessões conduzidas em estradas de terra batida em Fontjoncouse, perto de Narbonne, Cardona (Espanha) e Mazamet, a norte de Carcassonne, zonas conhecidas por sujeitarem os carros a condições duras e reais de utilização. Cumpridos 6.000 quilómetros de testes, a Citroën Racing está agora em condições de apresentar um produto totalmente completo e capaz, cujo desenvolvimento será melhorado ao pormenor em alguns pisos muito específicos. Mais para o final do ano terão lugar mais sessões de testes. Concebido tanto para os mais ambiciosos e talentosos jovens pilotos de ralis, como para os denominados gentlemen drivers, ou ainda para equipas com aspirações internacionais e outras com operações mais modestas, este carro tem tudo a ver com competitividade, robustez, versatilidade e facilidade de manutenção. Porém, mais do que as palavras, o que conta são os números e os factos, como se comprova a seguir.

MOTOR

Desenvolvido internamente, o motor representou um enorme desafio para a equipa técnica da Citroën. Como explica Olivier Maroselli, Diretor do Projeto, "Partimos com objetivos muito ambiciosos, objetivos esses que alcançámos trabalhando em 3 áreas fundamentais. A primeira foi a fiabilidade e a gestão da temperatura interna dos principais componentes do motor, o que resultou num processo muito sofisticado. Também prestámos especial atenção à cabeça do motor no sentido de que incrementa ao máximo a permeabilidade nas condutas de admissão e de escape. O último dos pontos fundamentais foi a eletrónica do carro, com uma ECU (Unidade de Controlo Eletrónico) mais avançada face à que tínhamos no passado. Por um lado, o propósito disto tudo foi obter um sistema ‘anti-lag’ muito mais funcional e, desse modo, obter uma resposta muito melhor por parte do acelerador com o motor em carga. Mas a ideia foi, também, mantê-lo constantemente na máxima pressão de sobrealimentação permitida, sem que a válvula ‘pop-off’ abra, algo que tem sempre um efeito altamente prejudicial na potência. Tudo isto significa que o motor é agora, indubitavelmente, um dos pontos mais fortes do carro. Todos os pilotos são unânimes em considerar que o carro tem ‘toneladas’ de binário, mas sabemos também que não está mesmo nada mal em termos de potência, com valores superiores aos dos seus rivais."

CAIXA DE VELOCIDADES

Tal como o seu irmão mais velho C3 WRC, o C3 R5 está equipado com uma caixa de velocidades Sadev. Contudo, as semelhanças acabam aí, pois a caixa utilizada no C3 R5 foi especialmente concebida para as exigências e constrangimentos específicos da classe R5. Como refere Olivier Maroselli, "Na verdade, trata-se de uma questão de segurança. Embora alguns dos componentes internos sejam idênticos, e por isso altamente comprovados, optámos, mesmo assim, por conceber a nossa própria arquitetura. O nosso conjunto é diferente, tanto em largura como em altura, das caixas de velocidades já disponíveis. Isto tem a ver com a influência direta que as caixas têm nos ângulos de transmissão e, consequentemente, no curso máximo permitido. Foi por isso que demos especial atenção a este ponto."

SISTEMAS DE CHASSIS E SUSPENSÃO

À semelhança do C3 WRC, o C3 R5 possui duas geometrias de suspensão diferentes, dependendo da sua utilização em alcatrão ou em terra. A ideia é, em cada situação, otimizar ambas as versões do icónico novo modelo da Citroën, com sistemas de chassis e de suspensão capazes de cumprir todos os constrangimentos específicos do piso em questão. Mais uma vez, tem a palavra Olivier Maroselli: "Dado que o número autorizado de ‘interfaces’ entre o suporte do cubo, a suspensão e o braço de suspensão é muito limitado, não foi nada fácil resolver esta questão. Mas optámos por inclinar a suspensão para trás em alcatrão, para efeitos da cinemática, e para a frente em terra, principalmente por causa do curso. Isto constitui mais um ponto forte do carro, pois não tivemos de comprometer, em nada, os sistemas que escolhemos. Também estávamos determinados a garantir que todas estas peças eram o mais leves possível. Isto implicou a utilização de amortecedores Reiger, não apenas por serem produtos visualmente muito bons, que permitem imenso espaço de manobra no que toca à definição do ‘set-up’ apropriado, mas também porque a sua estrutura em alumínio permite poupar no peso."

FACILIDADE DE MANUTENÇÃO

Sempre atenta às preocupações dos seus clientes, a Citroën Racing empenhou-se, também, em garantir ao C3 R5 os melhores e mais eficazes métodos de manutenção possível, sem deixar de dar especial atenção à durabilidade das peças e componentes escolhidos. “É verdade, esta foi uma das áreas em que trabalhámos mais, sem nunca, contudo, comprometer a performance,” confessa Olivier Maroselli. “A caixa de velocidades alojada mais à frente, por exemplo, permite a sua rápida e fácil remoção. Também fizémos imensos progressos na carroçaria, investindo em tecnologia multimaterial para adotar componentes aborrachados em todas as zonas inferiores dos para-choques e em alguns pontos dos guarda-lamas. Estes componentes são, por isso, mais resistentes ao desgaste e à deformação. Do mesmo modo, realizámos largos quilómetros de testes em estradas de terra extremamente exigentes, como é o caso da zona de Fontjoncouse, comprovando um grande incremento no que respeita ao desgaste da carroçaria e em toda a subestrutura. Os danos causados em peças de desgaste, tais como as placas de proteção, estão num plano muito bom, o que é positivo em termos dos custos de utilização."

Embora o calendário geral nos tenha deixado muito pouca margem para erros, tudo correu bem. Começámos a trabalhar nos desenhos preliminares do projeto no final de 2016, iniciando o trabalho de projeto específico, baseado no C3, em janeiro de 2017, e realizado os primeiros testes de estrada em setembro do ano passado. Não tivemos qualquer problema com qualquer um dos componentes mais importantes desde então. Os testes de resistência do motor foram concluídos sem incidentes, pelo que agora contamos com o que considero ser um número razoável de quilómetros de rodagem. Temos testado em praticamente todos os tipos de asfalto e definimos uma boa afinação de base. O mesmo é válido para a versão de terra, em que realizámos diferentes sessões numa grande variedade de terrenos. Vamos aproveitar este ano para aperfeiçoar as nossas configurações para eventos específicos, como o Monte-Carlo, Suécia, Finlândia, Gales/GB e Alemanha.

Vários pilotos estiveram envolvidos nos testes: Stéphane Lefebvre e Yoann Bonato, bem como Craig Breen, Kris Meeke, Yohan Rossel, Paolo Andreucci e Simone Tempestini. Qual foi o objetivo?

Acreditamos que um carro de ralis rápido e potente tem, também, de ser versátil, especialmente quando se trata de um produto de competição cliente. É por isso que decidimos utilizar um leque de pilotos, que nos permitiu, não só obter uma visão abrangente, mas também compreender mais rapidamente todas as áreas a corrigir no carro, comparando as várias opiniões.