Photo: Michelin

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UMA PERFORMANCE MAGISTRAL
Domingo, 11 Março 2018 00:00

ThumbnailCom um regresso quase perfeito da dupla Sébastien Loeb e Daniel Elena ao WRC e o segundo pódio consecutivo alcançado por Kris Meeke e Paul Nagle, o Citroën Total Abu Dhabi WRT registou uma performance magistral nos pisos de terra do México. O resultado permitiu à equipa posicionar-se com maior firmeza no 2º lugar no ranking do Campeonato do Mundo de Construtores.

O RALI EM RESUMO

Com um historial de seis vitórias no México (2006, 2007, 2008, 2010, 2011 e 2012) e mesmo sendo, por vezes, o primeiro a entrar para os troços, Sébastien Loeb já tinha sido autor de verdadeiras proezas nestas sublimes e escaldantes estradas de terra. Mas era quase impensável que o piloto francês conseguisse repetir a proeza neste seu regresso ao WRC, integrado num programa de três ralis – México, Córsega e Catalunha – seis anos após a sua última temporada completa na disciplina, principalmente devido à forte oposição no terreno.

Contudo, foi exatamente isso que Loeb fez ao volante de um C3 WRC que parecia assentar-lhe que nem uma luva. Contando ao seu lado com Daniel Elena, Loeb aproveitou ao máximo o 11º lugar na ordem de partida no primeiro dia e escalou até ao 2º lugar, depois de rubricar o melhor tempo em duas Especiais, as suas primeiras desde o Rali de Monte-Carlo de 2015. No sábado, continuou a dar provas da sua boa forma, vencendo mais uma Especial na primeira ronda do dia, elevando-se ao comando da prova, muito embora, desta vez, os lugares de entrada para os troços estarem mais equilibrados entre os pilotos da frente.

Já impressionados com as suas capacidades, os observadores ficaram absolutamente estarrecidos com o nível de performance, que levou a que o piloto de 44 anos e o seu co-piloto monegasco, comandassem o rali ao longo de três Especiais. Isto até sofrerem um furo e terem tomado a indesejável decisão de mudar o pneu, muito devido à sua falta de conhecimento acerca do comportamento dos pneus atualmente utilizados no WRC. A dupla caiu para o 5º lugar da Geral, posição em que viriam a terminar o rali, embora tenham sempre continuado a encantar os seus fãs, que se posicionavam ao longo dos troços desde esse ponto até o final, ao mesmo tempo que amealhavam pontos preciosos para a equipa.

Deve, contudo, dizer-se que foram muito capazmente substituídos no pódio por Kris Meeke e Paul Nagle, os vencedores do Rali do México 2017. Tendo também conquistado duas vitórias em Especiais no primeiro dia, apesar de prejudicados por uma escolha de pneus que esteve longe de ser a ideal na ronda da manhã, esta dupla terminou a 1ª Etapa no 4º posto da Geral, disposta a agarrar quaisquer oportunidades e determinada a subir na classificação. Essa missão viria a ser cumprida na Etapa de sábado: com mais três Especiais no seu bolso, Meeke e Nagle alcançaram o 2º lugar, contando com uma vantagem de 10,9 segundos face ao 3º classificado.

Infelizmente, um pequeno erro na manhã de Domingo fez com que tivessem de se contar com o 3º posto no final do rali. Não obstante, foi o seu primeiro pódio da temporada e a segunda subida ao pódio consecutiva para o Citroën Total Abu Dhabi WRT.

PERGUNTAS A PIERRE BUDAR, DIRETOR DO CITROËN RACING TEAM

Que balanço faz deste primeiro rali em terra da temporada?

Bem,o 3º lugar do Kris é, obviamente, muito positivo em termos de pontuação, pois significa que ele subiu no ranking de Pilotos. Foi também o nosso segundo pódio consecutivo deste ano, o que indica que estamos mesmo no caminho certo, ao mesmo tempo que nos coloca a apenas 1 ponto do 2º lugar no Mundial de Construtores. Tendo comandado a prova durante algum tempo no segundo dia e tendo os dois C3 WRC entre os três primeiros por momentos, podíamos muito bem ter obtido um resultado ainda melhor. Mas as corridas são mesmo assim!

Outro motivo de satisfação deverá ser a majestosa performance de Sébastien Loeb e Daniel Elena …

Sim, é o mínimo que se pode dizer! Todos conhecemos o seu talento, mas eles conseguiram literalmente surpreender-nos, tendo mesmo obtido os melhores tempos em Especiais que nunca tinham disputado, alcançando, pelo caminho, o comando da prova. Só por isso, já mereciam um lugar no pódio. Pode parecer algo perverso para quem foi Campeão Mundial de Ralis por nove vezes, mas eles pagaram caro pela sua falta de conhecimento dos pneus que atualmente são usados no WRC, quando foram vítimas do tal furo. Esperemos que seja apenas uma questão de tempo e que garantam um lugar no pódio já na Volta à Córsega. À luz da sua performance neste fim de semana, não vejo razão para que não discutam os primeiros lugares.”


Qual a sua opinião sobre o desempenho da equipa?

Gostava de aproveitar esta oportunidade para dar os parabéns a todos os elementos da equipa, pois todos fizeram um trabalho de elevada qualidade. Com 8 vitórias em Especiais num rali conhecido por ser um dos mais duros para os carros – bem como para o corpo humano – devido à altitude e ao calor, terminamos a prova com o melhor desempenho entre os construtores, o que demonstra o nosso elevado nível competitivo. Além do mais, conseguimo-lo sem qualquer ou mais pequeno contratempo técnico. Não é uma questão de sorte, trata-se sim de trabalho incansável e de total dedicação. É, ainda, mais uma prova do constante progresso feito pelos nossos C3 WRC.

EM DESTAQUE

Numa altura em que estava em quarto lugar à Geral, Sébastien Loeb ganhou a sua primeira Especial do fim de semana, na segunda passagem pelo troço de El Chocolate (31,44 km), disputado na Etapa de sexta-feira, ainda para mais quando ficou a 16,4 segundos dos mais rápidos na primeira passagem. Navegador do ás francês desde 1998, Daniel Elena conhece Loeb melhor do que ninguém e faz a sua análise desta impressionante performance, incrivelmente alcançada numa Especial que nenhum deles conhecera antes...

É simples. É algo tipicamente Loeb. Tendo analisado a sua primeira passagem abaixo das expetativas, ele deu o máximo na segunda volta. Ele não comete o mesmo erro duas vezes. Fez, por isso, essa Especial à Loeb, ou seja, com toda a ‘limpeza’ e tranquilidade, depois de ter forçado demasiado na volta da manhã. O que o pôs a pensar foi o facto de o Dani Sordo ter sido o mais rápido na primeira passagem, piloto que também tem um estilo de condução muito preciso em secções sinuosas e técnicas. Honestamente, não posso dizer que tenha ficado surpreendido com o fim de semana, exceto, talvez, o facto de não termos tomado a decisão acertada aquando do furo. Sempre pensei que era possível um regresso a este nível, pois eu sei como ele é. Desde que deixámos o WRC, acho que o Loeb até melhorou ainda mais. O WTCC deu-lhe algo mais, tal como deram os rali-raids e o ralicross. Nesta última modalidade, aprendeu a trabalhar melhor os seus reflexos, já que anda sempre atravessado num carro com 560 cavalos.”